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quarta-feira, 25 de maio de 2011

AS QUESTÕES SOCIAIS NO CAMPO

O Brasil vive um mundo de contrastes no campo. Mas o que isso significa? Em nosso país, encontramos área5 rurais que apresentam trabalho familiar, onde existem poucos recursos tecnológicos e financeiros. Entretanto, em outras propriedades podemos verificar a presença de máquinas e equipamentos que proporcionam maior produção agrícola e mais investimentos.
Sabemos que nos latifúndios predominam a pecuária extensiva e a monocultura, sobre¬tudo a de exportação, isto é, aquela que se destina ao mercado externo. Enquanto isso, os pequenos agricultores que praticam a policultura perdem seu espaço no campo brasileiro. A conseqüência é inevitável: ano após ano a produção de alimentos para consumo interno da população brasileira diminui, fato esse que contribui para a situação da fome e subnutrição, apesar do avanço da produção agrícola.
A Organização Mundial da Saúde (OMS), órgão que avalia as condições de saúde no mundo inteiro, recomenda 2.200 calorias por dia como o mínimo necessário para a subsistência humana.
A desigual distribuição de renda e, especialmente, a crescente concentração de capital permitem que muitas pessoas sobrevivam com uma dieta alimentar com quantidade de ca-lorias inferior às necessidades diárias.
Na verdade, além de uma política que valoriza os produtos de exportação, os brasileiros convivem com o grave problema da concentração de terras

O problema da posse de terras no Brasil existe há séculos. A colonização brasileira foi marcada por um sistema que privilegiava alguns proprietários que receberam do rei de Portugal enormes extensões de terra. Nelas, ocorriam a exploração do trabalho escravo e o enriquecimento de algumas famílias, havendo uma propensão para grandes latifúndios nos 'quais se praticava a monocultura de exportação. Além disso, também vigorou um regime de propriedade da terra no qual a pessoa a ocupava e pedia a posse ao rei de Portugal e, mais tarde, ao imperador.
A partir de 1888, com a promulgação da Lei Áurea, que abolia a escravidão, os fazendeiros, receosos de que os escravos libertos também reclamassem a posse da terra, solicitaram ao imperador mudanças quanto ao regime de propriedade da terra, que passou a ser o de compra e não mais de posse. Esse regime beneficiava quem possuía condições de pagar pela terra, favorecendo a concentração fundiária nas mãos de poucas pessoas e criando um grande número de trabalhadores que não tinham acesso à posse dela.
Durante a história de nosso país, a estrutura fundiária, isto é, a forma como as propriedades rurais foram socialmente distribuídas, pouco se modificou. Ao contrário, podemos verificar um aumento na concentração de terras. Muitos pequenos proprietários estão abandonando suas propriedades em decorrência da falta de políticas governamentais. A mecanização no espaço rural fez com que muitos trabalhadores perdessem seu emprego e realizassem o êxodo rural. Em muitas das pequenas propriedades, as famílias já não conseguem garantir o seu sustento.

Nosso país registra elevados índices de miséria e violência no campo, fatos que podem ser explicados pela má distribuição e concentração de terras. São necessários o debate sobre a reforma agrária, a análise dos envolvidos nessa disputa, bem como, as desapropriações de terra para o assentamento dos integrantes do movimento.
TEXTO EXTRAÍDO DO LIVRO: PASSAPORTE PARA A GEOGRAFIA - Volume 2

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